A dieta da marca

Finalmente chegou o verão e consigo as temperaturas quentes, os pôr do sol “patrocinados por uma bebida qualquer”, os dias de praia e as oportunidades de exposição das marcas aos potenciais clientes, tão apetecíveis quanto o número de eventos que se vão espalhando ao longo dos dias e noites da “Silly Season” portuguesa.

Este calor leva as marcas a gostar de sair à rua e mostrar-se como próximas, charmosas, intensas e atraentes, a questão que esta exposição traz aos seus gestores de marketing é saber se estão em forma e conseguem responder às expectativas dos potenciais a seduzir.

Será que a marca está em forma? Será que a marca tem capacidade de responder às diferentes questões que os clientes colocam? Até onde a marca consegue explorar o seu orçamento para corresponder a todos os pedidos e oportunidades a que é exposta? Será que existem oportunidades a que a marca deveria ser exposta e que nem se apercebe ou nem é convidada a estar? São muitas as perguntas que se podem colocar para ajudar a fazer um diagnóstico sério e claro da forma em que a marca está.

Mas mais importante do que estas questões pontuais e muitas vezes de circunstância para avaliação da marca, será importante saber o que é que tem sido “dado a comer” à marca, que tipo de dieta a marca tem sido alvo. Será que tem estado sob um plano de dieta restrito onde o desinvestimento quer em marketing, publicidade e relações públicas é constante, como também em pessoas? Ou estaremos a falar de uma dieta que se baseie somente num dos pilares de comunicação, como por exemplo (e meramente exemplificativo) na publicidade? Ou será que é uma dieta baseada na gestão controlada e balanceada de todas as vertentes da comunicação?

Cada uma delas poderá ter os seus prós e contras, havendo em algumas das dietas uns mais fortes que outros, ora vejamos:

  • Uma dieta restritiva e baseada na “fome” de comunicação e marketing levará à falta de reconhecimento de características esperadas da marca e esta, ao sair à rua, será vista como um ser estranho e demasiado anoréctico;
  • Numa dieta que se baseia numa só vertente do marketing, trará de imediato a diabetes do marketing, ou seja, a incoerência da marca, onde os valores que se procuram espelhar não serão realmente os que são revistos e percepcionados pelo público, devido a um desequilíbrio do esforço efectuado. Haverá sempre a falta de nutrientes importantes para que a dieta seja cuidada e ponderada, de modo a conseguir-se viver de forma saudável. Neste caso até se pode conseguir passar uma imagem de marca saudável, porém no final de tudo a marca está doente e frágil;
  • Numa dieta equilibrada poderemos pensar que só existe uma visão positiva, porém um dos grandes problemas têm a ver com a carteira, pois como em tudo na vida os recursos são escassos e a “carteira” do gestor de marketing e comunicação também o é, e uma dieta deste tipo leva-nos a ter de dividir o orçamento em muitas áreas que têm por si só muitas exigências naturais.

Porém, de todas as dietas, a terceira é a mais saudável e que pode ser a mais equilibrada, podendo mesmo ter-se o cuidado de criar reforços para algumas áreas de marketing em determinados momentos, levando a que com tanto calor e ao levar a marca para a rua, ela possa mostrar o seu “corpo” atraente e bem trabalhado, com o apoio de um bom “nutricionista” e de um “personal trainer”, a todo o seu público de forma mais apelativa e coerente possível.

P.S. – Todas as analogias que estão neste artigo devem-se à minha luta pessoal em finalmente começar a gostar do ginásio e estar a tentar convencer-me também que é importante manter o corpo sem forma redonda!…

 

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