A evolução das redes sociais

Nos últimos anos temos visto uma revolução tremenda na forma como se comunica, com os modelos clássicos de comunicação a serem completamente desconstruídos e reinventados por parte de diversas startups que se tornaram nos novos ícones de tendências e polarização das mensagens de marcas e indivíduos. Um modelo que se tem vindo a padronizar tem sido o ciclo de vida destas redes sociais e é aí que nos vamos centrar nesta reflexão.Qualquer gestor de marketing conhece os diversos estágios da vida de um produto e sabe como os reconhecer, pois para cada um deles existe uma panóplia de sintomas e de indicadores que permitem perceber a maturidade do ciclo de vida dos mesmos. Mas o que é que acontece com as redes sociais? Será que o modelo clássico pode ser adotado “as it is”? Que importância tem para um gestor de marketing e comunicação perceber o ciclo de vida de uma rede social?

Bem, comecemos pela última questão. Tal como é importante perceber o ponto de situação e o estado dos produtos que se tem em carteira para gerir e dos seus concorrentes diretos e indiretos ou sucedâneos, é de extrema relevância compreender os canais em que mais se tem apostado, de forma a poder compreender com maior clarividência os resultados que se obtém e que expectativas se deverão ter. Mas em grande medida, compreender estes estados de maturidade de cada rede social permitirá não apostar no cavalo errado e dosear o investimento de forma mais coerente e acertada para que possa criar e implementar uma estratégia de comunicação online consentânea com a estratégia comercial, de marketing da marca.

Importante mesmo é perceber que o modelo clássico de ciclo de vida de um produto/solução não mudou, porém os períodos e os indicadores mudaram drasticamente e é conveniente compreender quais os novos indicadores que influenciam o modelo e que permitem assumir que uma rede social passa de uma mera ideia de um grupo de amigos, para um potencial negocio com margens de lucro astronómicas. Porém, e antes de avançar mais, é importante compreender que as somas astronómicas que se fala, acarretam também investimentos elevadíssimos e que nos levam a perder a conta aos dígitos. Onde antes os indicadores mais proeminentes se baseavam no volume de vendas e na procura para percebermos que o produto estava numa fase de crescimento, no atual modelo os indicadores prendem-se com a atração de seguidores e de utilizadores, mesmo que estes não gastem um único cêntimo na plataforma, ou que não façam a mesma ganhar dinheiro. Estranho este modelo, não?!

Agora tem de se criar primeiro um mercado (grupo de utilizadores) que possam ser fiéis a um determinado estilo ou perspetiva social, para que depois se possa tornar vendável a rede social, que poderá obter receitas através de serviços específicos ou perfis mais avançados e completos (ex.: LinkedIn), através de licenciamento para desenvolvimento de outras aplicações disponíveis dentro da plataforma (ex.: Facebook ou Twitter), venda de produtos virtuais que podem ser adquiridos com funny money ou através de cartão de crédito (ex.: jogos no Facebook) ou venda de publicidade.

Todos estes modelos de negócio têm impacto direto no desenvolvimento e na vida de cada rede social, sendo necessário muito cuidado e foco estratégico aquando da inclusão de qualquer um destes modelos para que o seu impacto seja positivo, quer junto das marcas, como dos seus utilizadores. Outro dos indicadores relevantes, e um dos mais importantes em conjunto com a forma como se cuida e gere os utilizadores de cada uma das redes sociais, é o da inovação. Como é que cada rede inova? Como é que encara o relacionamento que os utilizadores têm com a rede, quer seja numa plataforma web, quer numa plataforma mobile? Quais as novidades que vão sendo incluídas nas funcionalidades de utilização e que impacto têm no crescimento de utilizadores?

São estas as reflexões que se deve manter aquando da aposta numa rede social para comunicar, que para além das inerentes questões de gestão de comunicação que se devem ter em conta, também ajudarão a implementar uma estratégia de investimento e de comunicação a longo prazo que trará aos seus clientes a sensação de confiança e de acompanhamento do que é hype e certo.

Artigo publicado em Liga-te à Media: http://www.ligateamedia.pt/ArticleItem/2425/pt/Opiniao/55480/5428/A-evolucao-das-redes-sociais#sthash.L2MuzZCP.dpuf

Deixe o seu comentário