Está tudo acabado

Desta vez conto-vos uma estória de uma relação que terminei recentemente, ainda sem saber se o passo que dei foi o mais correto. Porém, coloquei o ponto final num trajeto atribulado com uma oligarca. Foram anos de companhia muito próxima em que sempre foi a minha luz, apoiava de perto a criação de verdadeiros banquetes e festins para as visitas, iluminou-me nas noites longas e escuras de estudo. Romance este que todos os dias ao acordar se renovava e recomeçava a contar.Esta semana, devido à necessidade de uma mudança familiar, abriu-se uma janela de oportunidade de poder saltar para uma nova relação, uma que para além de me prometer iluminar, também traz uma promessa de conforto e calor. Não consegui resistir e aceitei o desafio de trocar de relação sem nenhum remorso, pensando somente no que iria poder poupar, na conveniência que poderia daí vir e de deixar de estar nas mãos de quem utilizava o seu poder oligarca para me sorrir de modo sarcástico e tratar nem sempre de forma digna.

Não sei o que esperar desta nova relação, mas estou feliz, pois assinei e de seguida comecei a receber mensagens simpáticas, coisa que já não sabia o que era na anterior relação. Parecia que já estava conquistado e não era preciso fazer mais nada pela nossa relação, sentia-me usado e ainda por cima vilipendiado todos os meses quando me enviava uma carta de honorários dos quais metade eu não usufruía. Agora não me voltará a tratar assim!

Isto é o pensamento natural de um consumidor, como eu, depois de ser aprisionado a contratos férreos e anti concorrenciais que se praticam na nossa praça. Principalmente quando vemos as marcas a terem três comportamentos distintos a nível de marketing e comunicação:
1. Fortes campanhas promocionais para angariação de clientes, em que vale tudo e se oferece até o que não se pode!
2. Descurar a possibilidade de renegociação dos seus atuais clientes, cada vez que fazem campanhas estrondosas já apontadas no ponto anterior. Chegando mesmo um cliente fiel e com uma ligação duradoura a pagar mais do triplo pelo mesmo serviço que um novo cliente.
3. Um esbanjar de esforços e massacre total aquando da perda de um cliente, para tentar recuperá-lo.

O que é que está errado nisto? Tudo! A relação que os consumidores têm com as marcas e com as empresas tem um vínculo de serviços, de preço e de ligação sentimental às marcas. Aquando da criação de uma campanha de marketing e de comunicação é importante não somente nos focarmos no público-alvo imediato, há que repensar esta estratégia e olhar para a envolvente das marcas e perceber que se vai fazer uma campanha de angariação de novos clientes em que se joga com o indicador preço, é importante criar uma mais-valia para aquele consumidor que já é cliente, quer seja a nível de preço ou de oferta de serviços/produtos.

Quando se fala em campanhas 360º, pensa-se sempre nos diversos canais de comunicação disponíveis para se utilizar. Porém, está a descurar-se um elemento essencial, que são os públicos-alvo em si. Eu posso já ser cliente, mas não gosto de pagar 50, quando o consumidor do lado só porque aderiu agora a um serviço irá desfrutar do mesmo, pagando metade e a qualidade também não difere. Isto é maltratar os clientes e retirar a proposta de valor ao produto ou serviço que se está a tentar vender.

Para finalizar, sei que a minha nova relação resolveu, em menos de 48 horas, alguns problemas que tinha anteriormente e sempre com simpatia e prontidão.

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