Guerras sem sentido

Começo a minha participação neste espaço a falar de algo que tem a ver com o mercado de marketing e comunicação e que se parece com as lutas clubísticas que em nada exaltam os valores de profissionalismo e até de genialidade dos nossos profissionais nas áreas de marketing, comunicação e publicidade.

Falemos das tribos, cada uma acha que é mais importante que a outra e que nessa escala de relevância profissional o comparativo se faz pela originalidade e poucas vezes pelo acerto com as reais necessidades dos clientes. Reconhecem esta mal fadada palavra, “clientes”? O pior de tudo é o anti-desportivismo que grassa cada uma das tribos com um dos pecados mortais, que é o da inveja. São poucos os que conseguem viver bem com o sucesso dos outros e que só se sentem bem e realizados quando têm a oportunidade de “analisar em profundidade” os azares dos outros. Picardias sem sentido que nenhum valor trazem aos profissionais, às empresas que os empregam e muito menos aos clientes, que procuram as melhores soluções para as suas necessidades.

E as piadas sobre o relacionamento com os clientes? Ui, isso é mato! Ou é o briefing que devia ter vindo e não veio, mas que muitas vezes não foi explicada a necessidade do mesmo e de balizar conceitos e ideias para uma optimização de tempo, ou é a ideia que foi apresentada e o cliente gostou mas quis fazer umas ligeiras alterações, ficando no final somente o seu logo inalterado. Estes são dois pequenos exemplos do que se vê e ouve, porém levanta-se uma pergunta: Afinal, em que é que isso contribui para a felicidade dos clientes e dos consumidores? Na realidade, sendo muito sincero e sem rodeios: Nada! Absolutamente nada. Não contribui para que o produto ou serviço seja melhor aceite, não faz com que a experiência seja extraordinária, simplesmente nada.

Com isto não quero dizer que somos todos maus, excepto algumas alminhas iluminadas! Não, nada disso. Digo sim que temos excelentes profissionais e que Portugal tem um conhecimento nas áreas de marketing, publicidade e comunicação que é reconhecido além-fronteiras, mas que têm de ser melhoradas as relações entre pares para que possamos apresentar aos clientes mais e melhores serviços e soluções que vão de encontro às necessidades e problemas reais, sem “achismos”, nem “criatividades” para massajar egos.

Pessoalmente já tive a oportunidade de trabalhar em todos e com todas as tribos que referencio e não consigo destacar nenhuma como a melhor e mais importante, excepto o cliente. Não que o cliente tenha sempre razão, mas quando é o caso de não ter, há que saber mostrar qual a melhor visão (não a óptima, mas sim a melhor) mediante as necessidades e recursos existentes. É-me incrivelmente difícil compreender quando as tribos se atropelam e dizem que são os únicos com capacidade de fazer algo, numa visão mesquinha e individualista de lucro a muito curto prazo, que pode levar à destruição de um trabalho árduo e longo de empreendedorismo do cliente (sim, que criar uma marca, produtos e serviços e mantê-los durante anos a fio, é um acto de empreendedorismo).

As valências de cada tribo são essenciais para que na junção de todas se possa apresentar a cada cliente uma panóplia de serviços especializados, que devem ser pagos pelo valor correcto (hoje não me irei debruçar sobre a ética do pricing), devido ao valor real e mensurável que podem trazer. Esta guerra das tribos só tem criado brechas para uma má formação de um mercado onde o valor real percebido dos serviços prestados é baixo, e onde o esforço exigido é muito superior.

Pessoalmente há muito que enterrei o machado de guerra e procuro falar, debater, participar em projetos e trabalhos em equipas multidisciplinares de marketing, comunicação e publicidade, onde todos são parceiros e lutam para o mesmo fim: o sucesso do cliente!

Este artigo foi publicado no site http://www.ligateamedia.pt