O impacto de um acto mediático

Por muito que nos últimos dias e semanas só se fale da entrevista ao ex-primeiro ministro José Sócrates, não a irei analisar neste espaço, porém poderei usá-la como um dos exemplos de como um acto mediático bem trabalhado pode ter um impacto fortíssimo na agenda mediática e no rumo de instituições, quaisquer que elas sejam. Mas comecemos pela introdução a um tema tão quente e que tanto preocupa os gestores, levando a longas discussões sobre o que é mediático e qual o valor de um acto mediático.

Afinal o que é um acto mediático? Um acto mediático é toda e qualquer actividade ou evento que possa ser usado com o intuito promocional de uma pessoa, entidade ou marca. Com este conceito quase tudo pode ser mediatizável ou tornado público. Óptimo, dirão agora! Mas e então, como gerir essa mediatização? Ora é aqui que entra a “magia” de um trabalho sério, apurado e especializado de consultores de comunicação e relações públicas, os que sabem melhor que qualquer outros profissionais retirar os melhores proveitos de qualquer acto mediatizável (repare que continuo a falar de modo genérico!).

As dores de parto de um evento mediático começam logo na escolha dos temas que serão abordados ou que poderão ser alvo de mediatização, bem como de quem será o porta-voz. Normalmente a escolha de porta-voz é relativamente simples, quando existe um trabalho pensado e estruturado a nível de marketing e comunicação, mas a escolha do tema e da data em que se pode realizar é que pode facilitar o sucesso da acção. Nunca é fácil escolher a data, pois existem sempre muitas outras actividades que podem concorrer com a nossa e que podem atrair a atenção dos públicos-alvo que queremos atingir, bem como da própria comunicação social. Mas o que realmente importa neste caso é escolher bem uma data que possa assegurar uma boa base de trabalho para podermos cimentar tudo o resto.

Claro que estas são as bases para um bom trabalho, porém, há sempre que analisar em que ponto estamos, como somos percepcionados e como queremos que nos percepcionem após o evento mediático. Pegando no exemplo de José Sócrates, ele sabia perfeitamente como era percepcionado pelos portugueses e tinha bem definida a estratégia de comunicação que queria abordar para procurar alterar a imagem da opinião pública. A escolha do momento é sempre discutível, porém, neste caso, por mais discussão que houvesse no final de tudo, os números demonstram que foi bem escolhida a data, hora e momento de falar em cada tema, pois as audiências dispararam e o interesse que foi criado em volta foi tal que era impossível falhar, logisticamente falando. A nível de comunicação, e numa breve análise, todos os temas foram bem estudados, desde os mais simples e agradáveis para o entrevistado, como os mais incómodos e delicados que poderiam criar momentos de maior incómodo, para todos houve uma resposta que poderia ser entendida e que poderia satisfazer a curiosidade ou então abrir espaço para o trabalho que a seguir virá na área de comentário.

Mas as empresas e a maioria das entidades não se podem dar ao luxo de dizer ou ter alguém que domine igualmente a forma como os órgãos de comunicação social funcionam e que tão fluentemente transmitem a sua mensagem, sem nunca perder o fio condutor do seu objectivo comunicacional. Claro que isto é possível de ser alcançado pela maioria das pessoas, desde que se comprometam a um nível de formação específico e se exponham a muitas horas de prática e de trabalho árduo para poder atingir certos níveis de comunicação.

Mas um evento mediático não pode ficar comprometido por um destes pontos já citados, tem de conseguir viver por si e integrar-se num conjunto mais amplo de actividades que se encontram no plano de marketing e comunicação com o objectivo de potenciar os propósitos estratégicos previamente definidos. Este tipo de acções não podem nem devem ser pensadas e colocadas em práticas de forma esporádica e ad hoc, têm de estar coordenadas com as restantes actividades, caso contrário é um tiro no escuro que pode trazer consequências mais negativas do que positivas para as marcas, devido a expectativas que se criam e que depois não se cumprirão. Um bom líder e porta-voz, bem como o seu gestor de marketing e de comunicação, tem de avaliar correctamente os tempos em que pode comunicar, como comunicar e o que comunicar, tendo previstas quer acções prévias, quer acções pós acto mediático para reforço da mensagem.

 

Este artigo foi publicado no site http://www.ligateamedia.pt

 

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