O que tu queres sei eu… muitos e bons!

A visão e filosofia da sociedade actual são muito simples: ter mais e de melhor qualidade! O que poderá haver de mal nisto? Nada, pois todos queremos mais e melhor para as nossas marcas e empresas, pois assim asseguramos a vitalidade e solvabilidade das mesmas. Pessoalmente nunca vi nenhuma empresa que no início do seu ano fiscal apresentasse uma estratégia de negócio em que as expectativas não fossem de crescimento, mesmo quando as mesmas estão em tempos recessivos. É necessário ter sempre uma noção realista, mas com uma visão sonhadora e optimista que permita galvanizar as equipas de trabalho.

Mas será que esta ambição tem de existir em tudo o que as empresas façam? Sim, tem de existir, mais, é obrigatório que haja! Porém, também é importante que os gestores saibam o que querem e como querem. Nas redes sociais este é um problema sistemático e é muito difícil conseguir conciliar as expectativas e a realidade dos números finais. O que quero eu dizer com isto? Algo tão simples quanto isto, se existirem duas entidades que apresentem à marca uma estratégia de redes sociais onde a visão se diferencie entre ter muitos seguidores ou ter um conjunto mais coeso e interactivo de seguidores, empiricamente os gestores de marca escolhem quem lhes promete maior quantidade, e se perguntar pela interacção o habitual é ouvir uma resposta que com mais seguidores as probabilidades de interacção aumentam. Nada mais errado, nada menos profissional.

A noção de quanto maior for o número de seguidores de uma comunidade, maior é a probabilidade de interacção facilmente é corroborada pelas estatísticas das próprias plataformas. Foquemo-nos na plataforma social onde todos querem estar, o Facebook, e onde as estatísticas não enganam e mostram como as percentagens de interacção baixam drasticamente quando se actua com o enfoque na quantidade. A gravidade deste tipo de estratégia prende-se com a qualidade dos seguidores que normalmente são angariados. Quantos desses seguidores serão potencialmente convertíveis em novos clientes? Quantos serão os que irão interagir de forma activa e que no final se tornam em verdadeiros embaixadores da marca? Novamente, e baseado na avaliação empírica e na análise de estatísticas de diversas comunidades onde tal estratégia foi anteriormente adoptada, os resultados serão quase sempre muito redutores e medíocres.

Uma estratégia de comunicação nas redes sociais tem de se basear num paradigma de crescimento sustentado, onde as acções de comunicação implementadas (repare que não de acções com recurso a publicidade pura) têm de ser suficientemente interessantes, apelativas e encorajadoras para que o comum dos utilizadores da plataforma social se sinta naturalmente atraído e que tenha vontade de interagir, não somente através de um like, mas por comentar mostrando a sua opinião e pela partilha com os seus amigos. Ao fazer isto, a marca está a gerar um novo canal de comunicação real de relevo, onde parte do conceito de comunicação de “One-to-Many” para “One-to-One” e de onde retira ilações sobre o que a sua comunidade pensa, sente e procura, para que possa fazer os reajustes correctos, possíveis e necessários que lhe permitam ser assim avaliada pela mesma comunidade e ajudar a crescer e continuar num processo de melhoria contínua.

Pode parecer muito floreado o que escrevi aqui, porém, também pela experiência e conhecimento empírico, observo que é necessário saber gerir e definir os momentos de comunicação e acções de promoção das redes sociais para se obter resultados que realmente trazem interacção, seguidores, fiéis e clientes. É importante que se deixe de olhar para as redes sociais como uma forma de publicitar e ganhar notoriedade de forma mais barata que colocar uma página de publicidade num jornal ou revista. Uma estratégia de comunicação nas redes sociais exige que se procure avaliar as reais necessidades e interesses da marca para poder avaliar todas as plataformas sociais existentes, o volume do esforço necessário e como implementar. Mais do que pensar em número de seguidores, é necessário pensar em como crescer de forma coerente e de modo a potenciar resultados reais e mensuráveis.

 

Este artigo foi publicado no site http://www.ligateamedia.pt

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