O Verdadeiro Natal vs. o Natal do mercado

Escrevo este post a dia 26 de Dezembro, ainda a recuperar de alguma da comida a mais do fim-de-semana, para refletir um pouco sobre algo que nos últimos anos tem vindo a desgastar-me: Será que ainda nos lembramos do que realmente se celebra no Natal?

Sim, afinal o que é que estamos a celebrar? Será que a sociedade ocidental em que vivemos, e com fortes raízes culturais e religiosas cristãs, ainda sabe porque é que se festeja o Natal? Ou melhor ainda, ainda se lembram quem é a personagem principal destes festejos?

Acreditem que estas minhas questões são realmente sinceras e sei, porque tenho constatado, que há muito que muita gente não sabe porque existe o Natal! (agora é a oportunidade de irmos ao baú da história e falar como a igreja católica apostólica romana se apropriou de uma festa pagã e do solstício de inverno para dar-lhe uma conotação religiosa).

Pois bem, o verdadeiro Natal tem um significado muito simples e claro: celebrar o nascimento de Jesus Cristo.

Engraçado, que todas as facções cristãs (católicos, evangélicos, ortodoxos (mesmo com o desfasamento entre o calendário gregoriano e o juliano) assumem claramente que é um momento simbólico do nascimento de Jesus, retirando qualquer peso à apropriação de um festejo pagão do império romano.

Mas parece que isto é algo que está a suceder também na sociedade atual, onde o paganismo e o mercantilismo estão a levar a melhor sobre o Natal, tornando-o cada vez mais “bling-bling” e sedento de um consumo desenfreado, colocando de lado ou mesmo remetendo para o esquecimento o sentido do mesmo. Ora vejamos o que tem acontecido com algo tão simples quanto a representação do nascimento de Jesus Cristo: o presépio. Qual o meu espanto quando este ano entrei numa superfície comercial e vi anunciado de forma pomposa a exibição de um enorme presépio, junto da cadeira do pai natal (sim com letras minúsculas, pois esta é uma personagem que não faz nenhum sentido na história), e fui espreitar. Consegui contar mais de uma dezena de bonecos pintados de vermelho em diferentes situações, muito musgo, casas tradicionais e em tempo algum vi uma manjedoura e a representação do nascimento de Jesus Cristo.

É nisto que se está a tornar o Natal, o Holy Grail dos criativos publicitários e de marketing, onde tudo vale para vender a marca num período onde a espiritualidade deveria ser o centro das atenções, onde desde já alguns anos as grandes marcas correm atrás dos sentimentos mais simples e puros dos consumidores para criarem Good Will, mesmo que isso signifique pegar numa criatura inventada e pintar de vermelho (da cor da marca) e começar a inundar os mercados com a ideia que o mais importante é dar presentes, satisfazer as necessidades de consumo e comer e beber até mais não, pois para descansar poderão ver filmes de animação e outros “clássicos” onde em tempo algum se faz a ligação real com o verdadeiros sentido do Natal.

Diga-se o que se disser, do meu lado tentarei continuar a ser coerente e dizer desde tenra idade aos meus filhos e aos que  estejam ao meu redor que o pai natal não existe, que é uma verdadeira criação comercial. Que o Natal serve para celebrarmos um dos acontecimentos mais importantes da humanidade, ao ponto de separar e dividir a contagem temporal, e que voltou a trazer esperança à humanidade.

Na minha profissão vive-se muito do Natal, é verdade. Mas viver deste período não significa não olhar a meios e não ter a noção real que o que importa é festejar o nascimento do Deus Filho.

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