Os primeiros raios de Sol

No meio de um inverno rigoroso e duro, mesmo no momento em que as forças e a esperança começam a desvanecer, lá aparece o primeiro raio de Sol. É nesse momento que, de repente, todos se iludem e vêm renascer o seu fôlego com o intuito de ver o renascer de uma nova era auspiciosa de calor, prazer e muito glamour.

Bem, este poderia ser um primeiro parágrafo para um breve guião de um anúncio publicitário, onde poderíamos colocar o cliente num local inóspito e, de repente, começar a ver os céus a abrir e de lá de cima romper um primeiro fio de luz que criaria um momento de clímax com o ressurgir das cores viçosas para fazer o belo enquadramento cinematográfico de uma qualquer marca.

Mas não, este raio de luz nada tem a ver com um anúncio publicitário, mas sim com os sonhos que neste momento existem nos milhões de consumidores do nosso pequeno mercado português, havendo mesmo alguns que já criaram um relógio para fazer a contagem decrescente para a saída de uma “besta” chamada troika.

Mas, deixem-me tapar de novo o Sol e relembrar que o que vem aí serão tempos diferentes e muito mais aguerridos para a área de marketing e comunicação. Em muitos setores, o marketing tornou-se numa commodity, em que a experiência e conhecimento obtidos ao longos dos anos já não é o elemento diferenciador de outrora. Tal como noutros, estas áreas ainda continuarão, por mais algum tempo, a serem subestimadas por uma razão tão simples quanto a economicista, e porque nem todos os líderes e gestores do tecido empresarial mudaram durante este período de crise.

Perdoem-me estar a ser um “Velho do Restelo”. Pessoalmente prefiro o papel do “Homem do Leme”, que enfrenta os seus medos e receios e de peito feito apregoa os feitos de Portugal ao “Adamastor”. Porém alguém tem de trazer o povo à razão.

O digital é o caminho, dirão uns, outros dirão que é o storytelling, outros ainda falarão novamente que só se vingará através da inovação e do empreendedorismo, porém eu escrevo: estão todos errados sem deixarem de estar certos!

Vai ser preciso que nos deixemos de iludir e ludibriar com o que é trendy e o que é “sexy” e voltarmos a olhar para as monótonas e aborrecidas folhas de Excel, para as tornar atraentes e apelativas com gráficos e quadros que mostrem caminhos, saídas e nos contem estórias que possam marcar a história do marketing e da comunicação em Portugal (mais do que prémios ou associações).

É tempo de nos voltarmos para o que é o negócio das marcas e perceber onde está o seu real valor e transformá-lo em algo apetecível, experimentável e repetível no consumidor, quer seja através de uma história bem contada, quer seja através de uma promoção bem ao estilo de hard selling, ou simplesmente por manter a coerência da marca.

Os tempos que se adivinham são menos tenebrosos dos que já passámos, porém isso não significa que as “vacas” vão deixar de ter os ossos à vista, cobertos com gordura suculenta. Pelo contrário, as vacas foram ao ginásio e agora correm a maratona!

 

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