Quando a pizza é social

No meio das minhas leituras diárias tropecei numa história de economia social que me deixa entusiasmado e que me levou a pesquisar um pouco sobre este caso. Nos Estados Unidos, um casal de empreendedores com um percurso de sucesso no setor da restauração criou um novo conceito de fast food: imagine uma Vitaminas ou Capri mas com pizzas?!?!?!

Sim parece estranho, principalmente, não por poder escolher os ingredientes, mas pela rapidez com que terá a sua pizza ou fatia de pizza pronta para comer em 3 minutos! Pois, lá vens tu Fernando com o teu fascínio pelo Fast Food (nada mais errado, cada vez gosto e utilizo menos este tipo de cadeia de restauração).

MOD Pizza
Ok, muito giro, mas isto é um conceito e um modelo de negócio muito capitalista e nada social, afinal onde é que entra a economia social nesta história? Simples, no processo mais importante de qualquer empresa, nos Recursos Humanos!

Sejamos sinceros, quantas são as empresas ou responsáveis de recursos humanos que realmente não têm nenhum tipo de preconceito e que de espírito aberto iria receber para entrevista e contratar um ex-presidiário? Vá lá sejam sinceros…

Ora aqui começa a longa jornada de Scott e Ally Svenson, os fundadores da MOD Pizza, que depois de terem criado 2 projetos de restauração bem sucedidos, voltaram a empreender, mas desta vez com o objetivo principal de ajudar outros.

Este é um projecto delicioso (no verdadeiro sentido da palavra, ou não tivesse pizza) que tem estado a transformação vidas que sentiam ser muito difícil (para não dizer impossível) a sua reintegração na comunidade e terem um emprego digno, respeitável e com condições condignas. Scott e Ally não só contratam ex-presidiários para os seus “Esquadrões MOD”, como apelidam as suas equipas de trabalho, como lhes dá a oportunidade de crescimento e serem responsáveis de equipas e de loja. Vá sejam sinceros, quantos é que pensariam entregar as chaves do vosso negócio a um ex-presidiário?  Eles não só o fazem, como têm um esquema de benefícios focado em deixar os seus colaboradores completamente descansados com o seu dia a dia, pois existirá sempre um ombro amigo para os ouvir, apoiar e suportar. Isto tem criado uma espírito de trabalho único nesta marca, e para além de colaboradores, eles tornam-se nos maiores e genuínos embaixadores da marca (brand employee marketing no seu melhor).

Ok, ok, isto é muito giro, mas isto não pode ser considerado economia social pura e dura! Sim é verdade, mas ao que se chama de economia social nem sempre está assente somente em foco numa causa e produção/promoção da mesma. Pessoalmente encaro este projeto como economia social, pois está a mudar vidas, comunidades (dignificando-as) e tem o foco num grave problema da sociedade como o da reintegração social. A economia social não tem de alcançar todos, mas sim alcançar um propósito/causa social. mas mesmo assim a MOD Pizza não se fica só por uma causa, pois a sua equipa de liderança, em conjunto com os seus colaboradores perceberam rapidamente que mais gratificante do que receber é dar! Por isso sempre que abre uma nova loja (e acreditem que o ritmo de aberturas e de sucesso da MOD Pizza tem sido alucinante) a MOD Pizza faz um donativo a uma entidade de caridade ou organização sem fins lucrativos da comunidade 100% da faturação do primeiro dia (sim faturação, não lucro)!

Qual o futuro de uma marca como esta? Não digo brilhante, porque não tenho uma bola de cristal, mas prevejo que seja risonha e emergente. São este tipo de projetos e de promoção comunitária que os consumidores cada vez mais procuram. O conceito de fast food é colocado de parte pela opção de ser o consumidor a escolher o que quer comer, e o conhecimento do trabalho de reintegração social e da mudança real de vidas e seu testemunho, não só cria colaboradores embaixadores da marca, como clientes que têm uma história para contar aos seus amigos, vizinhos, colegas de trabalho.

 

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