As redes são para todos

Quando estava a preparar-me para começar a escrever este artigo, chegou até mim a notícia de que o LinkedIn atingiu os 200 milhões de utilizadores. Interessante esta marca, visto que muitas vezes quando se fala de redes sociais em Portugal, cingimos as conversas ao Facebook, quando existem outras plataformas que têm interesses particulares e são uma mais-valia para determinados objectivos de negócio.

O investimento efectuado nas redes sociais pela maioria das empresas ainda se encontra muito focado no objectivo de criação de notoriedade de marca, razão derivada do evangelismo massivo que também tem sido feito junto dos gestores de marcas para se ter mais contactos directos com os consumidores finais. Sem entrar em qualquer tipo de questionamento estratégico de se optar por essa via para se ter uma campanha social com sucesso, procure pensar comigo nos efeitos positivos que pode ter em pensar na comunicação nas redes sociais de forma mais ampla e mais adequada com as reais necessidades e objectivos de negócio. Façamos um conjunto de simples questões que lhe poderão levar a definir correctamente as suas necessidades de comunicar:

  • Qual é o tipo de negócio que tem? B2C ou B2B?
  • Quais os públicos com que a sua marca interage (fornecedores, parceiros, empregados, clientes, etc.)?
  • Que ferramentas de comunicação já tem activas para contactar com esses públicos?
  • Estes públicos interagem com essas ferramentas?
  • Qual o custo nominal e percentual de cada uma destas ferramentas de comunicação no seu budget?
  • Existe alguma forma de melhorar a interacção das mesmas?
  •  Qual é a ferramenta de comunicação com maior impacto na marca? (Seja sincero nesta resposta e procure incluir dados mensuráveis e que possam ser medidos ao longo do tempo.)
  • Quais os recursos que tem disponíveis para suportar os actuais e futuros canais?

Com estas questões respondidas terá uma breve visão do estado em que está a gerir a comunicação da sua marca e verá despontar um conjunto de riscos e oportunidades que pode e deve implementar, quer no curto prazo, quer a médio e longo prazo. Por favor, não tente fazer tudo de uma vez só, priorize! Uma estratégia de comunicação só consegue ter sucesso e trazer um bom retorno de investimento para a marca quando se prioriza correctamente o valor de cada ferramenta e acção e se cria um plano que seja realmente exequível e mensurável. Defina também, com a sua equipa, metas a atingir e métricas (KPI) que permitam avaliar o trabalho efectuado em determinados momentos estratégicos.

Um perigo quando temos as repostas a todas as questões que coloquei é a redação dos briefings a apresentar aos atuais ou aos potenciais fornecedores. Não peça mais resultados nem defina objectivos que para os alcançar vá exigir de si e da sua equipa o tempo que não tem.

Estas questões que coloquei, o que é que têm a ver com o título e com os primeiros dois parágrafos deste texto? Têm tudo a ver, ou não sejam estas questões um modelo simples de o ajudar a balizar a sua estratégia de marketing e comunicação, na qual deverá estar incluída a comunicação de redes sociais. De nada valerá estar a dizer num almoço de trabalho ou de amigos que a sua marca tem presença nas redes sociais, se não tiver bem definidos os objectivos que pretende atingir com esta presença. Por vezes uma página numa rede social com menos seguidores poderá ser mais eficaz que uma com largos milhares de seguidores, devido à interacção e interesse demonstrado para comunicação promovida. Como exemplo, podemos ter uma empresa de B2B com presença no Facebook, onde tem milhares de seguidores, e mesmo assim não atingir nenhum objectivo de comunicação nem de negócio, pois esta empresa a está a investir o seu esforço na rede social errada. Será mais vantajoso ter uma presença clara e estruturada no LinkedIn (ex.: página de empresa e grupos de discussão por interesse da sua actividade) e com o suporte de um blog com conteúdos de relevo para o seu mercado.

Resumindo, é importante ter uma estratégia de comunicação bem delineada e estruturada, que passe em revista todas as áreas e ferramentas de comunicação para apoiar a definição da melhor estratégia para alcançar os públicos-alvo, de forma segmentada, relevante e personalizada; onde as redes sociais poderão ter um papel de extremo relevo, tal como tem a publicidade e as relações públicas.

Este artigo foi publicado no site http://www.ligateamedia.pt