Reuters, o exemplo de ser exemplo

O ano de 2017 iniciou com mudanças drásticas e fraturantes na forma como os diversos agentes políticos, sociais e informativos têm de agir, chegando mesmo à criação num novo pseudo-conceito para esta nova “era” comunicacional: a era da pós-verdade.

Sinceramente não consigo compreender este novo conceito, pois não estamos a falar de algo que seja relativo, mas sim factual. Tal como não existe uma situação pós-factual, também não pode existir uma realidade pós-verdade. Ou é verdade ou é mentira!

A equipa de Donald Trump, tem vindo a criar e a citar, desde a sua eleição, uma realidade paralela, acusando os meios de comunicação de produtores de notícias falsas (fake news) com o intuito de desestabilizar e descredibilizar a sua administração. Com esta situação, títulos noticiosas de referência e globais  como a CNN, The New Yorker, entre outras têm-se tornado personas non gratas na Casa Branca. Estas posições extremadas por parte da administração americana tem recebido por parte da comunicação social a mesma postura, levando a uma maior divisão ideológica e política, com verdadeira contagem de armas, ao ponto de neste momento um dos empregos mais promissores e com maior necessidade de recursos humanos nos EUA é o de facts checkers (pessoas que têm como ocupação confirmar os factos relatados por ambas as partes).

Logotipo Reuters

No meio desta guerra ainda se consegue encontrar algum bom senso, como o da posição clara e exemplar da Reuters, que através do seu Chefe de Redação Steve Adler reforçou a postura reconhecida desde a sua fundação em 1851, em Londres. Uma postura que é reconhecida pela sua integridade e imparcialidade, onde não se deixarão influenciar por spin doctors, ou por dados que não possam ser comprovados, focando-se sempre na regra básica dos 5 W:

  • O Quê (What happened?)
  • Quem (Who is involved?)
  • Onde (Where did it take place?)
  • Quando (When did it take place?)
  • Porquê (Why did that happen?)

Para melhor perceber esta postura, há que ler o comunicado que Adler enviou a toda a sua equipa de jornalistas, focando nos valores centenários da agência e linhas orientadoras reais, práticas e éticas.

 

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