RP – Mais do que comunicados de imprensa e longe dos croquetes

Quando se fala em Relações Públicas, o comum dos mortais pensa de imediato em festas, noite, discotecas ou, sendo um pouco mais “profundo conhecedor”, falará de comunicados de imprensa e de suborno aos jornalistas. Sim, esta imagem ainda existe sobre a nobre arte das Relações Públicas, ou somos uns pândegos ou então andamos a subornar meio mundo.

Estas duas visões não poderiam estar mais distantes da realidade do trabalho diário de um Relações Públicas, ou também comummente apelidado, assessor de imprensa. Pessoalmente não me revejo muito na segunda descrição, pois considero-a demasiado redutora, o trabalho de qualquer profissional de comunicação ligado à área de Relações Públicas vai muito para além das tarefas de assessorar uma marca ou dirigentes relativamente aos órgãos de comunicação social; o trabalho que se desenvolve tem de ser mais completo e exige que haja constantemente uma análise crítica para avaliar e discernir quais as melhores práticas operacionais de levar a bom porto um objectivo estratégico de comunicação e imagem das entidades que representamos. Para além disso, pela experiência profissional, tenho visto e sentido sempre que entro em qualquer reunião com um potencial cliente, este procura cada vez menos uma agência de Relações Públicas para “pôr” as notícias que ele fez nos meios, mas sim um parceiro que o apoie a avaliar o sentido e valor noticioso de cada tema e que consiga otimizar junto, já não dos meios, mas dos seus públicos-alvo.

Isto significa que um Relações Públicas tem de ser alguém especializado e conhecedor das diversas ferramentas de comunicação e marketing que as empresas e indivíduos têm ao seu dispor para promover a imagem e os intuitos dos mesmos. Isto significa que nem sempre é necessário um comunicado de imprensa, pois este não alcançará os intuitos primordiais da marca, por vezes é bem mais eficaz pegar nos mesmos dados, organizá-los corretamente e potenciar com eles uma entrevista ou mesmo redigir um artigo de opinião factual e disponibilizar ao meio com maior apetência para o tema a informação. Sim, nós, os malandros das Relações Públicas, trabalhamos os dados (reparem que o trabalhamos não está entre aspas, é uma afirmação factual sem segundo sentido), mas fazemo-lo com o intuito não de ludibriar ou esconder o que seja, mas para torná-los mais inteligíveis, comparáveis e legíveis.

É verdade um Relações Públicas poderia também ser apelidado de analista de dados, descodificador de algoritmos e de jargão técnico que por vezes nem os próprios profissionais de determinados sectores sabem o que significa. Com isto não quero deificar os profissionais de Relações Públicas, porém honras sejam feitas a quem de direito. A análise de negócio de um cliente, qualquer que ele seja, é obrigatória. Sem isso é impossível compreender o que se está a falar, bem como é impossível ser plausível e verosímil aquando da apresentação de um tema aos públicos, quer sejam eles jornalistas, líderes de opinião ou mesmo o consumidor final.

Sinceramente, ao longo dos vários anos de profissão, nunca tive muito prazer nos croquetes que de vez em quando me passam pela frente, nem mesmo do brilho de uma passadeira vermelha e das luzes da ribalta que podem daí advir. Prefiro o trabalho de equipa, mas solitário, do backstage onde falamos de métricas, de retornos de investimento, a criar relações que se querem duradouras e profícuas para o cliente e onde o conteúdo é rei.

Este artigo foi publicado no site http://www.ligateamedia.pt

 

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