São métricas meu cliente, são métricas…

Vamos ao sétimo dia do mês e o telefone toca, do outro lado ouve-se a voz do cliente com a pergunta que nenhum account quer ouvir:

– É pá, quando é que me envias o relatório mensal, tenho a reunião com a administração e tenho de apresentar os dados do ultimo mês, mais os dados segmentados da campanha extra que fizemos na última semana, mais os melhores recortes de imprensa e os números das redes sociais. Consegues enviar-me isso até ao meio-dia?

O account que sabe o quanto é importante o apoio da administração para a manutenção do cliente olha para o relógio, que já marca as 11h35 e confirma que dentro de mais cinco minutos já estará na caixa de e-mail do cliente os relatórios todos que pediu e os que imaginou e que não faziam parte da ordem de trabalho do dia.

Claro que isto não faz parte do inesperado, mas sim do expectável numa empresa de relações públicas, bem como de qualquer outra empresa em qualquer sector de actividade. O mais relevante é saber que métricas e quais são as que realmente espelham as melhores práticas de medição e que se coadunam com os interesses dos clientes e das agências. Ao contrário das agências de publicidade, na área de Relações Públicas as métricas não estão tão normalizadas e aceites por todo o Mercado. As razões para tal deve-se a muitas condicionantes externas ao trabalho das equipas que não são tão fáceis de medir, como pode ser o caso da agenda setting que pode mudar toda a orientação de uma publicação de um momento para o outro que deixa assim cair alguns temas que numa situação normal seriam publicados, ou pelas metodologias adoptadas diferirem de agência para agência o que leva a dar-se maior relevância a algumas métricas que a outras.

Existem muitas mais razões para explicar a não adopção de métricas normativas válidas e consistentes entre todas as agências de RP, mas uma coisa é certa, o mais importante é ser capaz de se definir métricas desde o início de actividade com o cliente que demonstrem com coerência e realidade o trabalho desenvolvido pela agência que deverá estar alinhado com os objectivos de negócio do cliente, mesmo para projectos pontuais.

 

Este texto foi publicado a 05 de agosto de 2013 no portal Buzzmedia: http://buzzmedia.controlinveste.pt/artigos-de-opiniao/70/fernando-batista/sao-metricas-meu-cliente-sao-metricas

 

 

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